Relato de uma visita à Dona Berta

Na semana passada fui com o pequeno Lucas e o Diogo visitar a Avó Berta. Fomos recebidos com sorrisos serenos e palavras lúcidas. Estivemos lá um bom bocado, ela deliciada com o bisneto Lucas de 4 meses, quase não tinha olhos para nós. Falou um pouco mais do que nas últimas vezes que lá estive e teve alguns momentos em que, se nos abstraíssemos dos outros velhotes e daquela sala cheia de sofás, era a nossa avó sentada à sua mesa na pensão central… lembrava-se das conversas que tivemos tantas vezes sobre filhos e falou da grande bênção que é a maternidade. Brincou com o Diogo, como sempre fazia, e pediu para a levarmos a passear de carro. Às vezes a sua mente viajava para Bissau e falava como se estivesse na pensão, outras vezes lembrava-se de onde estava e chegou a dizer que voltaria para a Guiné um dia. Estava serena e sem angustias, não diria feliz ou alegre como nos acostumámos a vê-la desde sempre, mas estava calma e acima de tudo bem tratada, bonita e saudável.

Sei que todos nós que amamos a Avó a maior parte das vezes que vamos visitá-la ao lar saímos de lá de lágrimas nos olhos e o coração nas mãos. Claro que gostávamos que durasse para sempre aquele sorriso e os almoços na Pensão… mas a vida é assim mesmo, temos que envelhecer e essa velhice prega-nos partidas e confunde-nos as memórias. Mas por mais confuso que alguém possa ficar há algo de essencial que permanece sempre, a Avó Berta de sempre está lá, no fundo dos olhos dela, no esboçar de um sorriso… e receber visitas é uma forma de trazer essa essencialidade aos seus dias. Por isso amigos, vamos visitá-la!!! Ás vezes sairemos de lá a chorar outras a rir aliviados, faz parte… O lar não é perto, mas de carro chega-se lá num instante… e podemos sempre usar aqui o site para organizar boleias…

Vanda Medeiros

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14 comentários

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14 responses to “Relato de uma visita à Dona Berta

  1. Obrigada pelo teu relato Vanda. Sou justamente daquelas pessoa que egoisticamente prefere guardar a avó Berta tal como a tenho na memória evitando muitas vezes saber notícias tentando nesse silêncio suster uma realidade que já não existe.
    Com o teu relato e esta fotografia fiquei com vontade e ânimo para visitar a D. Berta e ter uma atitude mais proactiva.
    Por muito que me encantem as memórias… de Bissau… da pensão… estes são apenas cenários com uma protagonista real e bem viva que se chama Berta. Essa é e será sempre a mesma seja numa cadeira tubular atrás de uma mesa a inspirar exércitos de voluntários seja num lar sentada numa cadeira de rodas a inspirar novas gerações.
    Ana Filipa Flores

  2. Nelson Salvador do Rosário Gomes

    Olá Vanda,
    Será que me poderia dizer em que Lar se encontra a D. Berta.
    Obrigado!

    • Vanda

      A Dona Berta está no Lar Corpus Care em Barcarena. É muit fácil chegar lá. Vai pela IC19 até à saída 5 – Queluz de baixo. Chega a uma rotunda e vai sempre em frente, vai ver o mar, continua em frente, depois de uma bomba repsol à sua esquerda chegará a uma rotunda. Aí vira à direita, depois 1ª à direita e novamente à direita, e lá está o lar.

  3. Nelson Salvador do Rosário Gomes
    O seu comentário aguarda moderação.

    Fevereiro 14, 2012 ás 2:32 am

    Olá Vanda,
    Será que me poderia dizer em que Lar se encontra a D. Berta.
    Obrigado!

  4. Dom Pedro Zilli

    Obrigado Ana Filipa. Gostei muito do relato de de ver Dona Berta. Ela está mesmo bem fisicamente. Cumprimente-a por mim e pela Guiné-Bissau. Dom Pedro Zilli de Bafatá

  5. fernando jorge lopes pereira

    Agora já percebi porque nunca mais te vi na Guiné. É por causa do menino Tiago. Tinha saudades da D. Berta e as notícias q. dela me chegavam da sobrinha Aldevina deixavam-me triste, porque davam conta da sua vontade de regressar a Bissau, impossível de se realizar. Na foto vejo q. ela tem um ar bem disposto e q. também recebeu a visita do meu amigo Diogo. Obrigado pela mensagem. A Berta merece o nosso carinho. Gostaria de contribuir para o livro sobre ela. Se puder ser. Abraços.
    FJ

  6. Obrigado, Mónica, por mais essa informação sobre essa grande mulher, a Dona Berta.
    Hildo Honório do Couto.

  7. José Carlos Barros

    Fico confortado por saber que a D. Berta está bem e serena.
    Que viva feliz a memória de Bissau!
    José Carlos Barros

  8. Mário Jaleco

    Vandinha!…tu e a Avó merecem-se muito! Queria muito ir vê-la já este fds, mas não devo conseguir…? de qualquer maneira, ainda vou tentar organizar-me para isso, mas teria que ir de propósito só para isso, de Coimbra a Lx, ir e vir no Domingo…ou seja, só seria viável no caso de ter boleia de Lx para lá, pois que os transportes, num prazo tão apertado…Alguém se acusa como estando planeando uma visita para depois de amanhã?…Beijinhoquinhos ao Lucas e que o abraço que sonho à Avó alcance todos os que a amam e se amam. Com carinho

  9. Maria Júlia Jaleco

    Obrigada pelo relato da visita. Gostava muito de visitar a avó Berta, tentarei. Sei que o meu filho não conseguiu no fim-de-semana, cheio de pena. Para já deixo abraços para ela (alguém lhos entrega?) e o desejo de que a memória não a atormente

  10. Luíz Duarte

    Em 1090 ao serviço da A.M.I. Assistência Médica Internacional eu Luiz Duarte com a função de Coordenador de Missão entrei na casa da D. Berta ou seja no 1º andar onde funcionava o restaurante em Bissau e palavra de honra fiquei encantado com tudo . Serviço , restauração e tudo mais e a simpatia da D. Berta .
    Um grande abraço
    Luiz Duarte
    Coordenador

  11. Mylène Gomes da Costa

    Foi tão bom poder rever a Dona Berta e ter notícias dela, que Deus te abençoe.
    Por acaso estive há pouco tempo em Lisboa e a morar não longe de Barcarena, mas creio que Deus há de permitir que lá volte ainda este ano e poder visitá-la levando um pouquinho de Bissau que ela tanto ama.
    A Av. Amilcar Cabral sem ela e sua pensão não é a mesma coisa, falta vida, talvez a única que restava após as 19 horas nela, pois tinha gente que lá ia jantar ou que lá residia. SAUDADES!!!
    Saudades dos gelados que tantas vezes lá comi na minha infância.
    Que Deus a abençoe e permita retornar a esta sua terra.
    Beijinhos avó.

    • Edite

      Há dias perguntei a uma guineense que trabalha no Restaurante João d´ Ourique na Amora-Seixal, se a D. Berta ainda vivia. Ela disse-me que sim. Estava longe de imaginar que a D. Berta estava em Portugal. Lembro-me muito das refeições da D. Berta. Um abraço. Como diz a Mylene, que não conheço, aquela Avenida sem a D. Berta já não é a mesma, mas eu acrecento: aquela avenida sem a D. Berta já nem avenida é. Um abraço forte à D. Berta onde tantas vezes comi.
      Edite Coelho

  12. Edite

    Errata: Um abraço à D. Berta dona do restaurante onde tantas vezes comi.

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